Todos juntos
26 de junho de 2008
Acabei de ler “ A lição final” de Randy Pausch e meus olhos estão inchados e vermelhos, vários sentimentos e lembranças vêem à minha cabeça junto com os trechos mais importantes e o que vivi até lê-los.
Com certeza, o grande final de uma história é sempre acompanhado de muita comoção. Porém, a frase de Jai para Randy “Não morra”, me fez lembrar do qe desejava e orava no terraço do 4ºandar de uma escola na Barra em 2000.
Minha mãe ia sofrer uma cirurgia de CA e eu estava no trabalho há km de distância dela (pois não deixaram eu faltar) e como fiquei todo o tratamento. Não que eu quisesse, mas trabalhar aos 18 anos, pelo menos no meu caso, me sentia muito mais como uma aluna submissa e obediente sem grande autonomia e independência. Essas não eram as minhas características e tive que mudar e aprender ao longo dos anos, principalmente quais são as prioridades da vida.
Sim, estive no terraço sozinha e chorando. Até 2000, conhecimento virtual não fazia parte do nosso cotidiano e ter noção sobre o que era CA era difícil para mim, não tínhamos o google, somente o que a minha mãe falava e quando podia fazê-lo.
Não sei lidar com a morte e acho que descobri desde então. Não queria que ela morresse ali e depois ao longo de cada tratamento e cirurgias posteriores.
Nunca visualizei essa cena, EU sem minha mãe, sem a pessoa que amo, sozinha, órfã. Era assustador aos 18 e ainda me parece aos 26 anos.
Choro por Jai e pelos outros que ficam e agora?Deve ser uma dor descomunal, não gosto de pensar nisso!Randy deixou um legado, fez a historia da sua vida e fechou um círculo de grandes sonhos.
Tenho fechado os círculos tangíveis, mas ainda falta muito e quero todos comigo. A vida é um eterno aprendizado e terei algum dia essa aula. Fico feliz pelo meu desejo ter sido atendido por Deus e minha mãe não se foi. Minha mãe sempre faz as suas despedidas no natal, páscoa, aniversário e Graças a Deus, tem sido assim nos últimos 8 anos. Todos e tudo em um só, é a nossa família, um clã.

