Dia 05/04 será o aniversário da minha avó, ela fará 81 anos. Uma grande vitória!
Abaixo segue o texto que escrevi para o jornalista Adriano Silva.
Li seu artigo "A favor da vida e da morte" da Revista Época e fiquei muito sensibilizada com a sua história, pois vivo algo semelhante e confesso que chorei ao lê-lo no ônibus.
A vida é realmente uma caixinha de surpresas, mas em muitos momentos nós que fazemos as nossas escolhas e percebo que com a saúde, devemos procurar escolher o melhor deles.
Minha avó tem alzeimer e há 3 anos ela vive conosco, entre muitos remédios, pomadas contra a escária e uma alimentação a base de alimentos e sucos naturais; vivemos momentos de alegria e tristeza constantes, pois procuramos dar uma melhor sobre vida possível.
Ela foi uma senhora muito batalhadora. Aos 15 anos, cuidou de seu pai que teve derrame (após a exploção do navio na Baia de Guanabara,o mesmo ia embarcar para combater uma das batalhas da 2ªGuerra Mundia, por isso, foi condecorado 2º Tenente Reformado do Exército) e foi aprender a costurar, um dos poucos ofícios que uma menina poderia aprender, e começou o seu trabalho em Campos,RJ.
Casou, teve 8 filhos, morou na Bahia, Brasília(nos anos 60, bem no período da sua construção, onde procura a fortuna com seu marido, tinha casa de "secos e molhados", costurava para os deputados da época e com o Golpe Militar perdeu tudo e um açougue) e Rio de Janeiro( morou no Flamengo no perído que não havia o Aterro).
Nos anos 70, em plena copa do mundo meu avô faleceu e desde então, a sua máquina de costura viu muitos panos e linhas para sustentar toda essa família. Nos anos 90, a pensão do seu pai saiu e sua vida melhorou, dando-lhe um pouco mais de conforto e paz para quem viveu somente para os filhos.
Hoje, em seu estado de "demência" brinca com suas agulhas e linhas imaginárias, pede para guardar as fazendas (os lençóis da sua cama) e briga porque estamos arrumando a sua casa(porque ela já limpou tudo sozinha).
Na minha adolescência ouvia todas as histórias mais de 100 vezes e às vezes, ficava cansanda daquilo, pois tinha que fingir que era a primeira vez que ouvia, mas hoje sinto falta da sua alegria e risada da forma que contava e ela dizia que eu ia sentir falta dos almoços de domingos, dos jogos de dominó quando partisse; e hoje sou eu que conto para vê-la feliz ao relembrar do seu passado, principalmente, quando trata-se de seu marido, foi uma mulher muito apaixonada.
Enfim, precisamos cuidar da nossa juventude tão bem como a nossa velhice; alimentação, exercícios físicos e uma vida menos estressante são segredo da passagem para o nosso futuro.