
Tenho lido alguns blogs, em especial o q add nos meus favoritos, Tudo pro ralo, que trata sobre a realidade e o universo feminino e parei para analisar q td nosso é sacralizado, ainda mais se tratando de sexualidade.´
Pois é difícil uma mulher escrever sobre o seu próprio universo com os mínimos detalhes e de forma tão engraçada, uma vulgaridade curiosa. É um misto de sensibilidade com loucura, pois acho q nós mulheres somos meio assim, de sensata a insana. Td depende do dia, da lua e do momento.
Sendo assim, fui pesquisar sobre assunto e achei este artigo q foi apresentado numa paletra e retirei um trscho sobre o histórico do universo feminino.
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"…a sexualidade feminina sempre foi terreno inóspito, com conhecimento centrado geralmente nos aspectos da reprodução humana. Nas escolas bem intencionadas, ainda hoje, palestras esporádicas sobre sexualidade, resumem-se em estudar o corpo reprodutivo e estimular a prevenção à gravidez indesejada. O prazer é assunto negado, ou quando muito, mascarado numa linguagem subliminar de que o corpo feminino é um espaço sem muitos direitos. Com o prazer vinculado a um corpo que engravida, que gera, que culpa e martiriza, as mulheres protegem-se num contrato social definido por leis, que longe de garantir-lhe este almejado prazer, obriga-lhes após tantas expectativas frustradas, à manutenção da relação dependente, neurótica, sadomasoquista. para fugir, da categoria pejorativa criada culturalmente para as mulheres que estariam desprotegidas destas leis. Seriam as "descasadas", "mães solteiras", "largadas do marido", "as que estão em falta".
Estes preconceitos acompanham as mulheres pela história; Inventam as categorias e as mulheres vão aos poucos "incluindo-se" nelas, sem contestarem, com submissão e dependência. Nos tempos da Inquisição, criaram a categoria das bruxas e muitas mulheres comportavam-se como tal, porque havia esta categoria. Na época das Cruzadas, no século XIII, segundo Veiga (1997) os cavaleiros iam para o Oriente Médio deixando suas mulheres sozinhas nos castelos, o que representava para eles um sério risco. Voltaram, então, com uma novidade em termos de aprendizado religioso: o culto à Virgem Maria, comum em Bizâncio e ausente até então na Europa. A partir daí, "(…) inventou-se o culto a puríssima dama, a quem deveria dedicar-se um amor, não um simples amor carnal, ‘animalesco’, mas o amor romântico pela deusa, adorada e casta, tanto mais adorada quanto mais casta. Os trovadores cantavam este amor e os homens que tinham ficado para trás, se convenciam dele. Isto acabou se constituindo num cinto de castidade mais eficaz dos que os de ferro e cadeado, mais folclóricos que realmente usados. Isto também reforçou imensamente nos homens a tendência de pensar as mulheres ou como santas ou como prostitutas…" ( Veiga, 1997: pag.34) "
Trecho retirado : Poder, Opressão e Dependência
na Construção da Subjetividade Feminina
de Maria Alice Moreira Bampi
Rio de Janeiro, 2001.